Brigada Militar diz que prioridade é segurança, mas garante atenção para barrar cartazes.
Em cumprimento ao inciso IV do artigo 13 do Estatuto Torcedor – que proíbe manifestações ofensivas ou xenófobas em eventos esportivos – a Brigada Militar garante que irá barrar as faixas com a inscrição “Pilantra”, confeccionadas por torcedores do Grêmio, em referência ao meia do Flamengo, Ronaldinho, que jogará no estádio Olímpico. Os responsáveis pelo cartaz, porém, reiteraram a vontade de exibir o material no próximo domingo e estão dispostos a ir à Justiça para isso.De acordo com um dos integrantes do grupo Grêmio Libertador Minwer Daqawiya, nenhum tipo de proibição foi comunicada, seja por parte da Brigada Militar ou do Grêmio, aos torcedores. “Estamos esperando. Se chegar, vamos entrar com um liminar para poder entrar com as faixas no Olímpico”, disse ele, que revelou que o grupo já consultou advogados para tratar do caso. “No momento ela não existe.”
Daqawiya acrescentou que a faixa não exibe nenhum nome – ainda que o blog faça clara menção a Ronaldinho e as faixas. Além disso, continuou, está dentro dos padrões de tamanho para ter a entrada autorizada. “Tem cerca de 70 centímetros e é feita de papel”, explicou. Conforme ele, já foram vendidas 300 faixas e outras 200 estão encomendadas, ao preço de R$ 5. “Mas tem um pessoal que está fazendo camisetas e outras de papel”, revelou.
Ao longo da semana, o grupo reiterou no site a disposição de protestar, mas de forma pacífica.
Brigada Militar retirará a faixa na revista
O comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOE), tenente coronel João Diniz de Prates Godoi, afirmou que a medida não é da Brigada Militar e está no Estatuto do Torcedor – embora o inciso IX do artigo 5º da Constituição respalde a livre expressão. “Se o material for encontrado, vai ser retirado”, garantiu o oficial, que contou que a Brigada Militar irá contar com apoio da câmeras de segurança do Olímpico para encontrar faixas que possam ter passado.
O tenente coronel reconhece que a BM pode não conseguir barrar todas as faixas. Se o material adentrar no estádio, os policiais avaliarão ser irão até o encontro do torcedor para retirar o cartaz. “A nossa preocupação vai ser com a segurança de forma geral com os 40 mil torcedores que vão ao estádio e não com as faixas”, disse ele. A revista, contudo, não deve ser tão minuciosa, para não atrasar o ingresso no estádio: “Vamos fazer a revista com todo o cuidado, para não criar um congestionamento e as pessoas não consigam entrar”, afirmou o Godoi, que ponderou: “Nós vamos fazer todo o possível para não entrar”.
De acordo com o comandante do BOE, o assunto das faixas “Pilantra” não esteve na pauta da reunião com os responsáveis do Grêmio na última quinta-feira, encontro que tratou do esquema de segurança para o jogo. Segundo o tenente coronel, a Brigada Militar mantém a posição de não permitir as faixas desde o início da semana: “Está na lei”, reiterou.
Estatuto prevê saída do torcedor que entrar com manifestação
O inciso IV do Estatuto do Torcedor veta manifestações ofensivas em ambientes esportivos: “Não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo”. Quem não cumprir, pode ser expulso: “O não cumprimento das condições estabelecidas neste artigo implicará a impossibilidade de ingresso do torcedor ao recinto esportivo, ou, se for o caso, o seu afastamento imediato do recinto, sem prejuízo de outras sanções administrativas, civis ou penais eventualmente cabíveis”.
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